
Sobre
Sou artista visual e gravadora, com doutorado em andamento no Programa de Pós-Graduação em Artes da UERJ, mestre em Artes Visuais (UFRJ, 2013) e graduada em Gravura (UFRJ, 2010). Atuo nas artes visuais desde 2008, com ênfase em gravura, arte impressa e publicações independentes, combinando processos analógicos e digitais. Desde 2024, incorporo fabricação digital e modelagem 3D aos processos gráficos.
Fui selecionada para a International Printmaking Residency da Ottawa School of Art (Canadá, 2026), participei de exposições coletivas em Paris, na Association Lézarts de la Bièvre (2026), e integrei a itinerância internacional do projeto Lambe-Lambe Faísca Latina, com exposição em Tegucigalpa, Honduras (2024).
No Brasil, recebi o 2º lugar no Prêmio EDP Energias na Arte (Instituto Tomie Ohtake, 2009), premiação que incluiu bolsa para a 36ª edição do Dynamic Encounters, com Charles Watson, Agnaldo Farias, Jailton Moreira e Fred Carvalho, em Nova York e Filadélfia. Recebi também Menção Honrosa no 49º Salão da Primavera (MAM Resende, 2022) e fui selecionada no Edital ArteSesc 2026 (Sesc Paraná), com exposição individual em Curitiba.
Conduzo o projeto solo Impressos Prosaicos, com participação regular em feiras como a Feira Tijuana de Arte Impressa (Rio de Janeiro), MOTIM: Feira Colaborativa de Arte Impressa (Brasília), FLIPEI: Feira Literária Pirata das Editoras Independentes (Paraty), Feira SUB de Arte Impressa e Publicações Independentes (Campinas), Feira Urucum (Belo Horizonte) e A.F.A.G.O: A Feira de Artes Gráficas da Oswald (São Paulo).
Sou autora do livro de artista Amarelo Saturno (2025) e coorganizadora da coletânea Escritos de Artistas, Escritos em Arte, vols. IV e V (Devires, 2024 e 2026).
Lecionei Litografia na EBA/UFRJ de 2021 a 2023 e disciplinas de Artes Visuais na UERJ, além de desenho e representação da forma no curso de Arquitetura da Fundação Educacional Rosemar Pimentel (Volta Redonda). Em 2025, ministrei a oficina Xilogravura e Serigrafia: Fundamentos no Ateliê de Gravura do Sesc Tijuca.

Statement
Minha prática artística investiga a gravura como campo de circulação de imagens, determinação de valores e recuperação fabular de memórias locais. Nascida em Volta Redonda, cidade brasileira surgida em torno da Companhia Siderúrgica Nacional, exploro a concretude do ofício artístico, a repetição industrial assimilada na minha vivência junto à usina e as implicações dos processos econômicos na cultura da sociedade brasileira. Meu interesse pelo tarô vem do uso lúdico e oracular das cartas nos momentos de lazer da classe trabalhadora. Para mim, a gravura opera como uma pequena indústria, já que a prensa de cilindro se assemelha a um laminador de aço.
Atualmente, desenvolvo minha pesquisa de doutorado, "Como cunhar as próprias moedas?", na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). O projeto articula a gravura, a história econômica brasileira e a dialética entre forjar e cunhar: a tensão entre o trabalho material contínuo e custoso e o gesto poético que converte o metal bruto em valor simbólico. Investigo a iconografia de moedas, baralhos oraculares, impressos do período colonial brasileiro e alegorias de vanitas, explorando como o ouro extraído das colônias latino-americanas foi transformado em moeda na Europa, convertendo-se em mercadoria e também em objetos de arte.
Transitando entre xilogravura, serigrafia, litografia e processos digitais, interesso-me pela justaposição de técnicas e temporalidades. Desde 2024, tenho incorporado tecnologias de fabricação digital (modelagem e impressão 3D, fresa CNC, corte a laser) aos métodos tradicionais de impressão, expandindo os recursos técnicos e expressivos da gravura.
Conduzo um selo editorial independente, o Impressos Prosaicos, com o qual participo regularmente de feiras gráficas, entendendo a produção editorial underground como uma forma de fazer circular a arte fora dos circuitos institucionais tradicionais.
Como educadora, acredito que o ensino da gravura é inseparável de sua prática, pois os ateliês e oficinas gráficas são espaços inerentemente coletivos, onde todos aprendem juntos.
Desejo criar gravuras que não se limitem a questões formais, mas que levantem indagações sobre o trabalho, a economia e as maneiras pelas quais as pessoas garantem sua subsistência.